Dezembro 12, 2024
Fred Marques, Co-fundador e CTO da Grão Direto, apresentando o pitch da startup para o painel de jurados no Futures & Options Expo 2024, em Chicago. (Foto: Grão Direto)
Por Frederico Marques
Representar o agronegócio brasileiro na Futures & Options Expo 2024, em Chicago, foi uma grande experiência. Este evento, reconhecido como o maior do mundo no setor de derivativos, reuniu mais de 2.000 participantes, incluindo executivos de corretoras, bolsas de valores e fundos de investimento.
A Grão Direto passou por um rigoroso processo de seleção global de startups, em que apresentamos nossa solução, compartilhamos nosso case e destacamos nosso impacto no setor. Como resultado, fomos escolhidos para integrar o seleto grupo de 10 startups participantes. Ser a primeira startup brasileira selecionada em 10 anos de programa foi uma conquista para nós, que reforça a força do Brasil em inovação tecnológica no agro.
No palco do Innovators Pavilion, apresentei como a Grão Direto vem liderando a digitalização da comercialização de grãos e trouxe a relevância do mercado brasileiro de grãos no cenário internacional.
A apresentação do AIrton, nossa inteligência artificial projetada para transformar as negociações de grãos, foi um dos pontos altos da participação da Grão Direto. O público ficou impressionado com o rápido crescimento da empresa, que já movimenta digitalmente 5 milhões de toneladas de grãos anualmente e gera mais de 40 milhões de preços diariamente.
Uma das atrações que levamos foi uma provocação visual no stand da Grão Direto: gráficos comparando os preços dos grãos no Brasil com os da Bolsa de Chicago, destacando a falta de ferramentas para gestão de risco no país.
No Brasil, o produtor rural utiliza contratos futuros como uma ferramenta de gestão de risco. Mas o uso de instrumentos financeiros, como operações na bolsa em Chicago, na bolsa brasileira ou com bancos para travar riscos e câmbio, ainda é pouco explorado. E isso vale também para muitas empresas intermediárias do agro brasileiro, como distribuidores, cerealistas e armazéns.
O produtor americano, por outro lado, está muito mais habituado a operar no mercado financeiro. Nos Estados Unidos, os produtores contam com consultores especializados e utilizam instrumentos sofisticados de forma muito mais frequente e estruturada.
Nesse cenário, existe uma grande oportunidade de desenvolver novos produtos e serviços financeiros que facilitem a gestão de risco no Brasil. Com o nosso marketplace digital, já contamos com produtores e empresas conectados, o que nos coloca em uma posição estratégica para ajudar a viabilizar essas soluções.
A integração dessas ferramentas financeiras à plataforma não apenas ampliaria as opções para os usuários, mas também poderia fomentar a liquidez no mercado, atendendo tanto os produtores quanto as empresas que já operam digitalmente conosco.
As conversas no evento tiveram como temas centrais: logística, precificação e os desafios na adoção de novas tecnologias pelos produtores.
Outro dos destaques foi a discussão sobre market data, ou seja, dados de mercado. Discutimos sobre como informações oriundas de marketplaces como o nosso podem impulsionar o desenvolvimento de novos produtos.
Pessoalmente, me chamou a atenção o imenso interesse pelo mercado brasileiro. O agronegócio no Brasil, com seu tamanho e potencial, apresenta inúmeras oportunidades, especialmente para o desenvolvimento de produtos financeiros voltados à gestão de risco, baseados em dados de mercado.
Pude ver de perto como mercados internacionais bem menores, e com menos potencial, já conquistaram certo protagonismo, o que me faz refletir sobre como podemos explorar ainda mais a força do nosso país.
Durante o happy hour organizado pela venture arm, time de investidores da Bolsa de Chicago, tive a oportunidade de dialogar com investidores e executivos, que viram com muito bons olhos nossa solução. Mesmo nos Estados Unidos, eles disseram que não há um marketplace consolidado para transações físicas de grãos com o nível de maturidade que temos no Brasil.
Nossos números expressivos — de 5 milhões de toneladas negociadas digitalmente no último ano e 40 milhões de preços gerados diariamente — são métricas que reforçam a relevância da nossa plataforma. Esses dados representam de 2% a 3% do mercado brasileiro de grãos, um volume significativo que confere robustez para a criação de índices e tomadas de decisão estratégicas no setor.
A apresentação do pitch da Grão Direto para um painel de jurados na FIA Expo 2024 conquistou o segundo lugar na competição e representou um marco para o agro brasileiro. Estou confiante de que muitas outras conquistas virão, reafirmando o Brasil como referência em soluções digitais para o agronegócio global.
Frederico Marques, 43 anos, é CTO da Grão Direto. Graduado em Ciência da Computação pela Unicamp (2002), ao longo de sua carreira, atuou em diversas funções na área de tecnologia, incluindo desenvolvedor, arquiteto, líder de desenvolvimento, gerente de projetos, especialista em Business Intelligence e liderança ágil. Co-fundador da Grão Direto, atualmente lidera as equipes de tecnologia, dados e inteligência artificial, sendo responsável por um time de quase 60 colaboradores. Além de sua atuação profissional, é guitarrista e, nas horas vagas, aprecia uma boa cerveja e uma partida de tênis.